O Governo do Maranhão, por meio das Secretarias de Estado da Saúde (SES) e da Educação (Seduc), realiza desde o mês de março uma campanha de busca ativa de casos de hanseníase e exames para diagnóstico e tratamento de tracoma e esquistossomose, além do tratamento de verminoses em alunos de escolas municipais no estado.  A campanha é voltada para estudantes de 5 a 14 anos de idade matriculados no ensino fundamental em 179 municípios maranhenses. A ação prossegue até 30 de junho.

Mais de 12 mil alunos foram atendidos pelas equipes da Secretaria de Estado da Saúde (SES). A estratégia, cujo tema é Hanseníase, Verminoses e Tracoma – em casa ou na escola, sempre é hora de prevenir e tratar, tem como previsão atender 906 mil crianças em 179 municípios maranhenses.

A chefe do Departamento de Epidemiologia da SES, Léa Márcia Melo da Costa, explica que a campanha funcionará com palestras nas escolas para familiares, professores e crianças. Ela destacou que a singularidade da campanha é voltada para o empoderamento da criança, além do envolvimento da família e de professores nesse processo.

Uma ficha, chamada de autoimagem, será entregue para preenchimento após exame da criança pelo responsável. Caso seja detectada alguma mancha, a criança será avaliada. “Após a confirmação diagnóstica, os casos serão encaminhados para tratamento na unidade de saúde. Com isso, crianças e adolescentes poderão se aproximar do conhecimento sobre estas doenças e contribuírem tanto para o autocuidado como para a disseminação deste conhecimento na comunidade”, afirmou.

A ação está sendo realizada em escolas públicas municipais e estaduais destes 179 municípios maranhenses apontados com elevado risco de incidência dessas doenças ou que aderiram ao chamamento. Para a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase da SES, Maria Raimunda Mendonça, a parceria e o engajamento dos municípios na campanha é muito importante. “A prática da campanha é feita pelos municípios. Temos cidades participando que não foram listados como prioritários pelo Ministério, mas que aderiram. A SES oferece apoio técnico e institucional”, afirmou.

Todo o tratamento para os três tipos de agravos é ofertado pelo SUS. “Os casos suspeitos são encaminhados para a rede de saúde básica para a confirmação diagnóstica e tratamento oportuno. A profilaxia para as geohelmintíases [verminoses] é feita na própria escola. Para o tracoma e esquistossomose os alunos detectados com os agravos são encaminhados para tratamento na unidade de saúde”, afirmou Maria Raimunda.

Sobre as doenças

Hanseníase – Doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, podendo cursar com surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e discriminação às pessoas. A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado. A doença tem cura e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS em unidades de saúde do país.

Geohelmintíases – Grupo de doenças intestinais que acometem o homem e causadas por parasitas que necessitam passar pelo menos uma etapa de seu ciclo vital no ambiente externo do corpo do hospedeiro, o que acarreta a contaminação do solo, água e alimentos com os ovos destes parasitas.

Tracoma – Doença inflamatória dos olhos, causada pela bactéria Chlamydia Trachomatis. Ocorre principalmente em crianças, necessita de tratamento. Em muitos casos a doença pode não apresentar sintomas, mas é importante ficar atento aos olhos se estiverem vermelhos e irritados, lacrimejantes e com secreção, coçando, com sensação de areia e intolerância à luz.

Esquistossomose – Doença parasitária, causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni. No Brasil, a esquistossomose é conhecida popularmente como “xistose”, “barriga d’água” e “doença dos caramujos”. Na fase aguda, o paciente pode apresentar febre, dor na cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarreia.

Ascom