Página 2 – Um empresário admitiu à Polícia Federal que serviu de intermediário de propinas entre a empreiteira Camargo Corrêa e o senador Edison Lobão (MA-PMDB), envolvendo a obra multibilionária de Belo Monte, um dos episódios da Lava Jato que atinge o PMDB do Senado.
Trata-se de Rodrigo Brito, da AP Energy. Essa empresa é peça-chave na delação da Camargo Corrêa. Ao longo do processo, Brito mudou de posição e resolveu colaborar com a investigação, embora não seja tecnicamente um delator. Ele espera receber benefícios em troca da colaboração.
Rodrigo Brito contou à PF que R$ 800 mil foram entregues na casa do senador Lobão, em Brasília, em outubro de 2012.
O caminho do dinheiro começou com uma nota fria da Camargo Corrêa e, com esses valores, a empresa transferiu para um doleiro chinês de São Paulo, que então tratou de transformar esse montante em dinheiro vivo.
O problema é que Gustavo Marques, da Camargo Corrêa, fez questão de receber o dinheiro das mãos de Rodrigo Brito, em Brasília. Brito, então, viajou de avião de São Paulo a Brasília. E encarregou um taxista de fazer o mesmo trajeto, de carro, levando o dinheiro em uma mochila. Quando o taxista chegou a Brasília, entregou a mochila a Brito em um hotel.
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Depois Brito entregou o dinheiro a Gustavo Marques. Rodrigo Brito afirma que, de início, não sabia quem era o destinatário, mas depois foi informado que era Lobão.
“QUE GUSTAVO não fez comentário acerca do destinatário dos valores, pois costumava ser muito discreto; QUE só posteriormente o declarante soube que aquela remessa também tinha como beneficiário o então Ministro EDISON LOBÃO e que GUSTAVO havia levado o dinheiro a ele, em sua residência, naquela noite”, disse.
No total, ele afirma que emitiu notas frias de R$ 2,5 milhões entre 2011 e 2012 para a Camargo Corrêa fazer dinheiro e distribuir em propina.
HOTEL
Antes mesmo de passar a colaborar com a investigação, Rodrigo Brito já era alvo da Polícia Federal. Como o BuzzFeed News revelou, Gustavo Marques, da Camargo Corrêa, já havia relatado o mesmo episódio da propina na casa de Lobão.
E a PF conseguiu comprovar que, de fato, Rodrigo Brito esteve em Brasília nas datas relatadas. Isso porque o hotel em que estava hospedado informou os dados à PF.
Naquele momento, contudo, Rodrigo Brito disse que desconhecia que a AP Energy servia como canal de propina.
Procurado, o advogado de Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que o depoimento é mentiroso e que as delações foram banalizadas.
“Não temos preocupação com delação. Houve uma subversão completa do sistema, o instituto foi destruído. A palavra de delator não vale nada. Lobão nega completamente. Houve uma criminalização da política e faremos o enfrentamento”, disse o advogado.