O Brasil de Temer e o Codó de Nagib

*Por Salvador Yohance
“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”, disse há cerca de 50 anos Ernesto Ché Guevara (a frase original é de Edmund Burke). Há 50 anos, Portugal era um país no seio de uma ditadura. O povo queixava-se. Éramos “atrasados” e a nossa cultura era fraca. Reinavam os “3 éffes” – Fátima, Fado e Futebol. Veio uma revolução, a ditadura caiu. De forma atabalhoada, é certo. Em 38 anos tivemos 19 governos: Em média, isto significaria um governo por cada dois anos. Durante a 3ª Republica, o FMI atuou duas vezes em Portugal, em 77 e 83. Passados 30 anos, voltamos a deixar que a história se repetisse e voltamos a ter o FMI no nosso país.
Criticou-se Salazar durante anos, mas acabamos por colocar o país nas mãos de quem nos levou à bancarrota, quando, apesar de tudo, Salazar nos deixou um país moderadamente rico. Era um povo pobre, num país rico. Hoje, somos um povo pobre num país pobre…
Recorremos ao texto acima escrito pelo português Pedro Oliveira`s do WebSpace, para chamar a atenção da população codoense para o momento que vivemos, no Brasil de Temer e por consequência no Codó de Nagib.
Postar o que eu estou pensando na minha linha do tempo não demonstrará de fato o que eu estou pensando. Replicar qualquer coisa que li e achei absurda tampouco irá adiantar ou me representar. Escrever um texto elaborado também não ajuda muito, já que quase ninguém lê – e não vou ser hipócrita, eu também não consigo ler tudo, por falta de tempo ou de interesse.
A verdade é que essa forma de governar de Temer copiada em Codó, pelo Prefeito Francisco Nagib, nunca me representou como povo, nunca foi reflexo da pessoa que sou, e da maioria das pessoas que vivem a minha volta. Claro que eu não convivo com tanta gente assim, e posso certamente não ser considerado um homem do povo. Eu sou de classe média baixa, sempre fui. E aí está uma novidade interessante, mesmo assim, esse jeito de governar nunca foi reflexo do que sou e do caminho que meus pais me ensinaram. Mas olha, na instância local eles fingem muito bem, a revolta é bem maior a nível nacional.
Eu não vou mentir, por mais que eu me esforce em entender, e tenha cursado uma Ciência Social, eu nunca vou entender por completo as necessidades dos outros, atualmente vivemos num mar de caos, e não precisamos ser niilistas para por fim perceber a complexidade ao nosso redor. Em passos lentos alcançamos o que perdemos muito rápido, e principalmente ficamos ainda muito mais distante do que ainda não tivemos.
No dia 16 de abril de 2017 (domingo), Codó completou 121 anos de emancipação política, durante todos esses anos, os codoenses celebraram esta marcante data, em grande confraria na praça da prefeitura, com momentos solene, celebrações religiosas, apresentações cívico culturais, corte de bolo, gincana cultural, atividades esportivas, e mais recentemente, com o reconhecimento aos codoenses através da concessão  de comendas, títulos de reconhecimento e até premiação para os melhores do ano anterior  da classe artístico cultural em todas as suas linguagens. Isso é história, é cultura, é valorização e respeito para com o povo.
Em 2017, o que mudou no Codó de Nagib?
Mudou tudo! Comemorar o que? Festa em frente à prefeitura pra que? Pra satisfazer aquele povinho pobre mal acostumado; Bolo pra que? Para matar a fome daqueles esfomeados; Celebração religiosa ecumênica pra que? Pra ouvir macumbeiro analfabeto; Apresentações cívico cultural e esportiva pra que? pra gastar dinheiro com premiação para aqueles desocupados; Gincana cultural pra falar da história de Codó pra que? Que história que nada, quem é que quer saber de passado; Comenda e título de reconhecimento pra que? Pra dar moral pra esse povinho metido a besta; Premiação para melhores da cultura pra que? Que cultura que nada, não vamos gastar dinheiro com essa besteira; Francis Jack abrir show pra que? Vamos trazer duas bandas de fora e acabar com essa besteira de valorização dessas bandinhas locais. Vamos ganhar nosso dinheiro e tá tudo resolvido, o povo tem memória curta.
Por que negam nossos direitos e por que os pobres incomodam tanto? “Em um mundo onde ser ‘VIP’ e obter exclusividades são o ápice do prazer aristocrático, fica evidente que o que aborrece a elite e os poderosos não é gastar dinheiro, não é a perda de direitos, e sim a perda de privilégios”.
Diante de tudo isso, haja Lexotan para acalmar os ânimos dessa gente, tão afeita a mandar e desmandar sozinha em seus feudos imaginários. Quanto a isso, só resta uma coisa a ser dita à população codoense: acostumem-se ou reaja… A tendência é piorar.
* Salvador Yohance é filosofo, jornalista ativista do movimento comunitário.